segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Cantinho Literário



















Com Licença Poética






Quando nasci um anjo esbelto,



desses que tocam trombeta, anunciou:



vai carregar bandeira.



Cargo muito pesado pra mulher,



esta espécie ainda envergonhada.



Aceito os subterfúgios que me cabem,



sem precisar mentir.



Não sou feia que não possa casar,



acho o Rio de Janeiro uma beleza e



ora sim, ora não, creio em parto sem dor.



Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.



Inauguro linhagens, fundo reinos



_ dor não é amargura.



Minha tristeza não tem pedigree,



já minha vontade de alegria,



sua raiz vai ao meu mil avô.



Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.



Mulher é desdobrável. Eu sou.






Adélia Prado

Um comentário:

Carla Arena disse...

Daniele,

Adorei a foto e a poesia. Espero que você faça deste espaço um meio poético, de expressão e encontros.

Way to go.